FONSECA

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As Vinhas

Fonseca


Quinta Santo António

Os vinhos de Santo António são finamente constituídos e aromáticos, acrescentando notas vibrantes e de complexidade ao lote de vinho do Porto Vintage.

Esta pequena, mas notável propriedade, tem uma longa ligação com a Fonseca, tendo contribuído para o seu lote de vinhos do Porto Vintage durante os últimos cem anos. Totalmente convertida para a viticultura biológica, a Quinta de Santo António ocupa uma encosta aberta virada a oeste, descendo para o rio Pinhão cerca de um quilómetro ao norte da Quinta do Cruzeiro, outra propriedade da Fonseca. A propriedade foi incluída na primeira classificação das vinhas do Douro em 1757.

Os vinhos de Santo António são finamente constituídos e aromáticos, acrescentando notas vibrantes e de complexidade ao lote de vinho do Porto Vintage.

A conversão da propriedade para a viticultura biológica começou em 2007, tendo esta quinta obtido a certificação biológica total em 2010. Santo António é um exemplo para o modelo de vitivinicultura sustentável desenvolvido pelo diretor técnico David Guimaraens e pelo diretor de viticultura António Magalhães. O exemplo desenvolvido em Santo António baseia-se na experiência adquirida nos processos de sistematização da vinha e de viticultura biológica usados nas outras duas propriedades pertencentes à Fonseca - a Quinta do Cruzeiro e a Quinta do Panascal.

A região do Douro é uma das mais impressionantes regiões produtoras de vinho do mundo. As vinhas mais antigas agarram-se às encostas íngremes em camadas sucessivas de estreitos socalcos que formam uma espetacular paisagem feita pelo homem, classificada como Património Mundial. Hoje, já não é viável construir esses socalcos tradicionais com os seus muros de pedra seca feitos laboriosamente à mão ao longo dos séculos. Onde a inclinação é menor do que 30%, os socalcos são substituídos por linhas verticais de vinha que correm no sentido das encostas, uma técnica conhecida como vinha ao alto. No entanto, cerca de dois terços das vinhas do Douro são plantadas em declives mais íngremes, onde o plantio vertical é difícil ou impossível.

Aqui, as vinhas são plantadas em amplas plataformas, que seguem os contornos das encostas, conhecidas como patamares. Estes patamares não têm muros, mas são separados por taludes altos. Se não forem bem construídos, estes terraços modernos podem ter um efeito negativo sobre o meio ambiente, cortando através de cursos de água naturais, causando erosão superficial do solo e criando um ambiente estéril hostil à vida selvagem. A necessidade de manter os taludes livres de ervas daninhas, que competem com a videira pela obtenção de água nesta região árida, muitas vezes envolve o uso de herbicidas químicos.

No entanto, o modelo desenvolvido por António Magalhães e David Guimaraens envolve a construção e a manutenção de vinhas modernas em terraços, mas de forma económica e ambientalmente sustentável. Este projeto foi vencedor do Biodiversidade BES, o prémio de maior prestígio para a conservação ambiental em Portugal. O projeto incorpora uma série de técnicas e estratégias que trabalham juntas para criar um ecossistema equilibrado e diversificado, reduzindo ou eliminando o uso de produtos químicos prejudiciais e garantindo a produção economicamente sustentável de vinhos de grande qualidade.

O modelo é baseado na construção de terraços estreitos, cada um com uma única fila (bardo) de videiras. Os terraços são projetados usando equipamentos de terraplenagem em que o operador é guiado por um inovador sistema de orientação a laser que permite que os terraços sejam construídos com uma inclinação de exatamente 3%. Com esta inclinação, é atingido um equilíbrio entre o correr da água da chuva e a sua penetração no solo, evitando a sua erosão, o que constitui um dos principais desafios na viticultura de montanha.

Este modelo também evita o uso de produtos químicos para controlar a vegetação indesejável. Isto é conseguido permitindo que se possa aceder de forma livre aos taludes, os quais são mais baixos e mais acessíveis do que os usados nos patamares convencionais. Desta forma qualquer crescimento de uma planta natural pode ser cortado mecanicamente. A palha seca que fica nas margens ajuda a estabilizar os taludes e oferece um habitat para insetos e outros animais selvagens. Ao longo das filas de vinha, o controlo é realizado semeando-se um tapete temporário de plantas de cobertura sensíveis à seca, como o trevo e o tremoço. Estas permanecem entre novembro e o final da primavera, enquanto as videiras ainda estão dormentes, impedindo que as plantas invasoras ocupem o terreno. Depois deste período, morrem naturalmente com o início do verão e podem ser cortadas mecanicamente para formar um tapete natural entre as videiras, reduzindo a perda de água e restaurando a matéria orgânica natural no solo. Outros componentes do modelo incluem a plantação de oliveiras e a conservação das zonas de vegetação natural, garantindo a diversidade da vida vegetal e animal, muitas vezes extinta em áreas de viticultura intensiva.

Talvez o aspeto mais crítico de todos é a correta seleção de castas e a sua distribuição dentro da vinha, garantindo que cada uma seja plantada numa ótima localização para poder prosperar naturalmente, podendo aí desenvolver a sua própria resistência à seca, doenças e pragas da vinha, continuando a produzir uvas perfeitamente maduras e de grande qualidade.

O modelo foi originalmente concebido para a sustentabilidade económica e ambiental e não a produção biológica. No entanto, na Quinta de Santo António, deu-se um passo mais para a obtenção da certificação biológica. Contudo, nem toda a propriedade foi alvo de uma reconversão. A quinta contém uma área de socalcos tradicionais muito antigos que  foram preservados, mas replantados de modo a que possam ser administrados biologicamente.

A certificação biológica inclui também as muitas oliveiras existentes na propriedade. Pouco mais de metade são da variedade Galega (Negrucha), sendo as restantes principalmente Madural e Cordovil, com uma pequena porção de Cobrançosa. As azeitonas destas antigas árvores são prensadas a frio para produzir um perfumado azeite biológico extra virgem. Suave, delicado e aromático, com um frutado sutil, é um vencedor de um troféu internacional e popular entre os devotos especialistas em azeites.